dezembro 07, 2012

Eugénio de Andrade

Que quer ainda esse passaro
tão atento ao silêncio
fulvo da cintura?

Os olhos —
...
quem foi que fez a casa
em tão fragil azul ?

São assim os meus dias,
ardem labio a labio
com o vento nos álamos.

Eugénio de Andrade

Fragmentos para uma arte poética, in Véspera da Água

aquarela ©Laurent Willenegger