dezembro 05, 2016

O espírito natalício na BE...













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Poema natalício de Alberto Caeiro

Ele é o divino que sorri e que brinca
Ele é a Eterna criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina.
(...)


Alberto Caeiro


Retábulo da Natividade
Madeira | Séc. XVI | Oficina de Antuérpia
Convento das Ursulinas
Museu Nacional Machado de Castro
Coimbra

Carlos Drummond de Andrade

Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nula.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto...


Carlos Drummond de Andrade


Lenda da vela de Natal


Era uma vez um pobre sapateiro que vivia numa cabana, na encruzilhada de um caminho, perto de um pequeno e humilde povoado. Como era um homem bom e queria ajudar os viajantes, que à noite por ali passavam, deixava na janela da sua casa, uma vela acesa todas as noites, de modo a guiá-los. E apesar da doença e a fome, nunca deixou de acender a sua vela. Veio então uma grande guerra, e todos os jovens partiram, deixando a cidade ainda mais pobre e triste. As pessoas do povoado ao verem a persistência daquele pobre sapateiro, que continuava a viver a sua vida cheio de esperança e bondade, decidiram imitá-lo e, naquela noite, que era a véspera de Natal, todos acederam uma vela em suas casas, iluminando todo o povoado. À meia-noite, os sinos da igreja começaram a tocar, anunciando a boa notícia: a guerra tinha acabado e os jovens regressavam às suas casas!
Todos gritaram: “É um milagre! É o milagre das velas!”. A partir daquele dia, acender uma vela tornou-se tradição em quase todos os povos, na véspera de Natal.

Um sábio provérbio africano...



If you want to go fast go alone; if you want to go far, go together...
African Proverb

dezembro 04, 2016

Nascente do Rio Mondego, Serra da Estrela.


O Mondego é o maior rio exclusivamente português. Percorre a parte centro do país, desde a Serra da Estrela até ao Oceano Atlântico, onde desagua junto da Figueira da Foz, após um percurso de 220 quilómetros.
Antes de se tornar um rio de planalto, é um rio de montanha, correndo num vale estreito e profundo, com grandes quedas de desnível e carácter torrencial muito acentuado.
Inicialmente, corre em direcção ao interior. Em seguida, descreve uma curva acentuada à volta de Celorico da Beira, onde inverte a marcha em direcção ao litoral.
Junto a Penacova, depois de ter recebido o Alva, o vale do Mondego estrangula-se cada vez mais ao atravessar o contraforte de Entre-Penedos.
Na zona de Coimbra o vale do Mondego começa a alargar cada vez mais, tornando-se o rio mais calmo. As grandes quantidades de areia trazidas de regiões do interior começam a depositar-se o que provoca a subida do leito e o assoreamento das margens, soterrando antigas edificações, de que é exemplo o conhecido Convento de Santa Clara-a-Velha, enterrado quase por completo na margem esquerda.
Atravessada a cidade de Coimbra, o Mondego espraia-se por vastos e férteis campos, onde é cultivado o arroz. De Montemor até à Figueira da Foz, o alteamento do rio e a acção destruidora das cheias têm, ao longo dos tempos, provocado inundações prejudiciais.
Na zona da Figueira, o transporte de elevadas quantidades de areia tem provocado o assoreamento da foz. O amplo estuário foi-se transformando, aos poucos, numa espécie de delta. Só o trabalho regular de desassoreamento tem permitido a entrada de barcos no porto da Figueira da Foz.

LIVRO DE HORAS de Miguel Torga

Miguel Torga - A Criação do Mundo

LIVRO DE HORAS

Aqui, diante de mim,
eu, pecador, me confesso
de ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
que vão ao leme da nau
nesta deriva em que vou.

Me confesso
possesso
das virtudes teologais,
que são três,e dos pecados mortais,
que são sete,
quando a terra não repete
que são mais.
Me confesso
o dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
e o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo andanças
do mesmo todo.
Me confesso de ser charco
e luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
que atira setas acima
e abaixo da minha altura.
Me confesso de ser tudo
que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
desta minha condição.
Me confesso de Abel e de Caim.
Me confesso de ser homem.
De ser um anjo caído
do tal céu que Deus governa;
de ser um monstro saído
do buraco mais fundo da caverna.
Me confesso de ser eu.
Eu, tal e qual como vim
para dizer que sou eu
aqui, diante de mim!

O Outro Livro de Job, 1956

O valor do LIVRO...

Citação do escritor Oscar Wilde


"The old believe everything, the middle-aged suspect everything, the young know everything."

Oscar Wilde

O Espírito Natalício..


Conta a história que na noite de Natal, junto ao presépio, se encontravam três árvores: Uma tamareira, uma oliveira e um pinheiro. As três árvores ao verem Jesus nascer, quiseram oferecer-lhe um presente. A oliveira foi a primeira a oferecer, dando ao menino Jesus as suas azeitonas. A tamareira, logo a seguir, ofereceu-lhe as suas doces tâmaras. Mas o pinheiro como não tinha nada para oferecer, ficou muito infeliz.
As estrelas do céu, vendo a tristeza do pinheiro, que nada tinha para dar ao menino Jesus, decidiram descer e pousar sobre os seus galhos, iluminando e adornando o pinheiro que assim se ofereceu ao Menino Jesus.