O livro é relativamente antigo, assim como o filme de mesmo
nome, foi muito bem adaptado para o cinema em 2008 e
permanece como um dos mais importantes.
John Boyne criou uma história onde os dois protagonistas são crianças
por volta de seus 9 anos de idade. Enquanto um é filho de um oficial
nazista, o outro é judeu. Juntos, Bruno e Shmuel criam a mais proibida e
pura das amizades, caracterizando a inocência de uma criança em relação
a religião, cor da pele e outros tipos de “distinções”.
O Menino do Pijama Listrado descreve o surgimento de uma amizade
entre um judeu e um alemão, em plena Segunda Guerra Mundial, que de tão
comovente parece real. Enquanto o pai e o professor de Bruno tentam
convencer o menino de que os judeus são a pior raça possível, ele só
quer ser um explorador e conhecer o mundo. Durante uma de suas pequenas
expedições no quintal, depara-se com uma enorme cerca e diversas
pessoas vestindo pijamas listrados. Uma delas, é Shmuel.

Aos 9 anos de idade, tudo que uma criança quer é brincar e fazer
amigos, e Bruno não é diferente disso. É com esse pensamento que o
menino se aproxima do jovem judeu, e o trata com seu igual, independente
do fato de Shmuel não ter cabelo, ser magro e todo sujo. Curiosamente,
os dois nasceram no mesmo dia, e a partir dessa descoberta a amizade só
floresce, assim como os questionamentos de Bruno perante os adultos.
Uma das principais lições que o livro nos dá é a ingenuidade das
crianças, que não entendem o ódio, o medo e a repulsa de pessoas que,
sem nenhum motivo aparente, são taxadas de diferentes. Tudo que Bruno
quer é um amigo e o encontra do outro lado de uma cerca de arame
farpado.
“A infância é medida por sons, aromas e visões, antes que o tempo obscuro da razão se expanda.”
“Você é o meu melhor amigo, Shmuel”, disse ele. “Meu melhor amigo para a vida toda.”
Toda criança, jovem ou adulto deveria ler O Menino do Pijama
Listrado. Diariamente temos mais e mais confirmações do quão racista e
preconceituoso o mundo está, e encontrar uma história de amizade em meio
a tudo isso é algo que deve ser mencionado. O nazismo de Hitler é
apenas um exemplo do ódio disseminado por palavras e ações, mas assim
como ele, muitos outros ainda existem e surgem por aí.
Com apenas 192 páginas, o livro é curto e a leitura rápida, o que não
o torna menos bonito ou profundo. O conteúdo foi todo adaptado para o
cinema, em um filme igualmente emocionante, mas vale a leitura primeiro.
John Boyne conseguiu tratar um assunto tão polémico e pesado, de
maneira infantil e graciosa, abrindo os olhos de quem lê sua trama. O
Menino do Pijama Listrado é, até hoje, um dos meus livros favoritos e
considero obrigatória a sua leitura!
