julho 05, 2016

Citação de Fernando Pessoa

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."

Fernando Pessoa

julho 04, 2016

'Viagem' de Miguel Torga

'Viagem'

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...


Miguel Torga, in 'Diário XII'


04 de Julho de 1336:Morre a Rainha Santa Isabel de Portugal

D. Isabel de Aragão, filha de Pedro III de Aragão e de D. Constança de Navarra, e neta de Jaime I, o Conquistador, terá nascido em Saragoça por volta de 1270 e morrido em Estremoz  a 4 de Julho no ano de 1336. Foi Rainha de Portugal pelo seu casamento com D. Dinis, tendo ficado conhecida por Rainha Santa Isabel.
Desde nova mostrou tendência para a meditação e solidão, rezas e jejuns. Entre os seus pretendentes contavam-se Eduardo I de Inglaterra, Roberto de Anjou e D. Dinis de Portugal. Foi este quem o seu pai escolheu pois oferecia-lhe desde logo um trono. O contrato de casamento foi concertado em 24 de Abril de 1281 e tinha a particularidade de ser o primeiro celebrado em Portugal com escritura antenupcial, segundo o direito romano. Por ele, a nova rainha recebeu Óbidos, Abrantes, Porto de Mós com todas as suas rendas, e ainda 12 castelos. O seu pai, por seu turno, dotou-a com 10 mil maravedis e joias. Ficou célebre o cortejo que acompanhou a nova rainha a Portugal depois do casamento, realizado por procuração na cidade de Barcelona em 1288. De Bragança, onde era aguardada pelo infante D. Afonso, a comitiva, onde se incorporavam nobres portugueses, seguiu para Trancoso onde D. Dinis a esperava e onde, a 24 de Junho, se realizou a cerimónia de casamento que os cronistas celebrizaram.

Em 1304 regressou à sua terra natal quando D. Dinis teve de se deslocar como medianeiro do conflito entre Fernando IV de Castela e Jaime II de Aragão. Também em Portugal era constante a sua presença junto do marido nas deslocações que este fazia pelo reino; esse facto trouxe-lhe grande popularidade junto do povo, pois nessas alturas dava esmolas aos pobres, a raparigas pobres e distribuía alimentos. Não se alheou dos problemas políticos nacionais, interferindo na guerra civil que opôs o rei ao príncipe herdeiro D. Afonso; acusada pelo marido de favorecer os interesses do filho foi mandada sob custódia para Alenquer. No entanto, continuou a interessar-se pelo problema e foi por sua influência directa que se assinou a paz de 1322; no ano seguinte evita o reacender da luta colocando-se entre os exércitos preparados para a batalha. Depois da morte de D. Dinis (1325) recolheu-se nos Paços de Santa Ana, junto a Santa Clara de Coimbra.
Até à sua morte promoveu uma série de obras pias fundando ou ajudando à fundação de hospitais (Coimbra, Santarém, Leiria), asilos e albergarias (Leiria, Odivelas), mosteiros, capelas (Convento da Trindade em Lisboa, claustro em Alcobaça, capelas em Leiria e Óbidos). Deixou em testamento grandes legados a muitas destas instituições. Foi sepultada por sua vontade no Convento de Santa Clara e, no século XVII, o seu corpo foi trasladado para o novo mosteiro fundado por D. João IV em substituição do antigo, ameaçado pelas águas do Mondego, e depositada num cofre de prata e cristal.
O povo, desde cedo, considerou-a santa, atribuindo-lhe inúmeros milagres. A pedido de D. Manuel I, foi beatificada por Leão X (15-4-1516) e, em 1625, foi canonizada por Urbano VIII.
Lenda do Milagre das Rosas
Conta a lenda que o rei D. Dinis foi informado sobre as acções de caridade da rainha D. Isabel e das despesas que implicavam para o tesouro real. Um dia, o rei decidiu surpreender a rainha numa das suas habituais caminhadas para distribuir esmolas e pão aos necessitados. Reparou que ela procurava disfarçar o que levava no regaço. D. Dinis perguntou à rainha onde ia e ela respondeu que se dirigia ao mosteiro para ornamentar os altares. Não satisfeito com a resposta, o rei mostrou curiosidade sobre o que ela levava no regaço. Após alguns momentos de atrapalhação, D. Isabel respondeu: "São rosas, meu senhor!". Desconfiado, o rei acusou-a de estar a mentir, uma vez que não era possível haver rosas em Janeiro. Obrigou-a, então, a abrir o manto e revelar o que estava escondido. A rainha Isabel mostrou, perante os olhos espantados de todos, as belíssimas rosas que guardava no regaço. Por milagre, o pão que levava escondido tinha-se transformado em rosas. O rei ficou sem palavras e acabou por pedir perdão à rainha que prosseguiu com a sua intenção. A notícia do milagre correu a cidade de Coimbra e o povo proclamou santa a rainha Isabel de Portugal.
Ficheiro:6- Rainha D. Isabel - A Santa.jpg
Isabel de Aragão
Arquivo: Rainha Santa Isabel, um Milagre das Rosas - 1540.jpg
O Milagre das Rosas - autor desconhecido 1540
Arquivo: Santa Isabel de Portugal.jpg
Francisco de Zurbarán, Santa Isabel de Portugal

04 de Julho de 1865:É publicado 'Alice no País das Maravilhas', de Lewis Carrol

Escritor e sacerdote inglês, Lewis Carroll, pseudónimo de Charles Lutwidge Dodgson, nasceu a 27 de Janeiro de 1832, em Daresbury, Inglaterra, conhecido especialmente pela sua obra Alice no País das Maravilhas. O convívio de Lewis Carroll com os seus oito irmãos esteve na origem do seu gosto pela literatura infantil. Começou a escrever com 12 anos, e mais tarde, em Oxford, destacou-se na área e dos estudos clássicos e da Matemática, que leccionou até 1881. Ordenado diácono em Dezembro de 1861, escreveu Alice no País das Maravilhas dedicado à filha do deão de Christ Church, de Oxford, Alice Lidell. Carroll escreveu e ilustrou as aventuras de Alice, publicadas em 1865 e que lentamente se tornaram uma das mais famosas histórias infantis de todos os tempos. Em 1871 publicou a continuação desta história, Do Outro Lado do Espelho (Through the Looking-Glass), igualmente um sucesso junto do público.
As crianças ocuparam também um lugar importante na área da produção fotográfica de Lewis Carroll, que faleceu a 4 de Janeiro de 1898 em Guildford, no condado de Surrey.

Alice no País das Maravilhas

Livro de aventuras infantil escrito por Lewis Carroll, publicado pela primeira vez em 1865, com o título Alice's Adventures Under Ground.
O autor mantinha uma predilecção especial por crianças, que muitos críticos e psicanalistas têm tentado denegrir, tendo cultivado uma amizade importante com as três filhas do deão da faculdade onde leccionava, em particular com a filha do meio, de nome Alice Liddell.
Durante um piquenique, a 4 de Julho de 1862, Alice Liddell pediu-lhe que contasse uma história. Lewis Carroll começou então a improvisar uma série de peripécias em que uma menina de sete anos, de nome Alice, tal como a sua amiguinha, caindo a uma lura de coelho, chegava a um reino maravilhoso.
Como Lewis Carroll possuía uma deficiência da fala, uma gaguez que o havia impedido de chegar a padre, Alice Liddell perguntou-lhe se não poderia, porventura, escrever essas e mais histórias, para que pudesse compreendê-las sem o impedimento do discurso entrecortado. Carroll concordou e, ao cabo de sete meses terminou a primeira versão do manuscrito. Mostrando-o depois a um casal amigo, que o leu a seus filhos, e que o adoraram, Lewis Carroll decidiu publicar a obra, para a compleição da qual decidiu contratar um ilustrador.
A história de Alice no País das Maravilhas descreve as aventuras de uma menina de sete anos que, adormecendo num campo, sonha que mergulha numa toca de coelho. Caindo através das entranhas da terra, chega a um átrio em que parece demasiadamente grande e, depois de beber uma poção, demasiadamente pequena. Entrando no País das Maravilhas conhece criaturas deveras estranhas, como o Gato Que Ri, o Chapeleiro Louco, os dois gémeos e Suas Majestades Reais, o Rei e a Rainha de Copas.
Saturada de símbolos, a obra tem tido várias interpretações, que a sua riqueza propicia quase qualquer posição e qualquer argumento que a crítica possa apresentar. Continua, no entanto, a ser bem acolhida tanto pelos leitores mais adultos como pelas crianças.Lewis Carroll daria continuidade à obra com um segundo livro, Alice do Outro Lado do Espelho (1871).

Ficheiro:LewisCarrollSelfPhoto.jpg
Lewis Carroll (1855)
Ficheiro:Alice Liddell.jpg
Alice Liddell, foi a inspiração de Lewis Carroll para criar Alice no País das Maravilhas

Ilustração de Alice cercada pelos personagens do País das Maravilhas, Gertrude Kay

julho 03, 2016

50 personalidades que influenciaram a leitura em Portugal



















Eis as 50 personalidades que, segundo o júri de autores, críticos e colaboradores da Revista Ler, mais influenciam a leitura em Portugal. Como se trata da atividade que constitui uma das principais razões de ser das bibliotecas escolares - a leitura em livro impresso ou nos novos suportes digitais e eletrónicos - e como também nem sempre nos apetece ser modestos, destacamos a parte do artigo dedicada a Teresa Calçada:

Coordenadora nacional da Rede de Bibliotecas Escolares desde 1996, ano em que o programa foi lançado, é também comissária-adjunta do Plano Nacional de Leitura. Mas o seu empenho na promoção da leitura pública já vem de longe, quando, enquanto técnica do Instituto Português do Livro, integrou o grupo de trabalho que pensou as bases da futura Rede de Bibliotecas Municipais, estabelecida em 1987. Se esta conduziu à modernização e criação de novas bibliotecas por todo o País, a vantagem de reformular as bibliotecas escolares era outra - e mantém-se. Passa pela possibilidade de fazer um trabalho direto, continuado e quase diário com crianças e adolescentes para quem o professor bibliotecário representa o filtro entre a informação aleatória e o saber transdisciplinar. Não é pouco. Há tempos, circulou um vídeo na Internet que perguntava se as bibliotecas serão os próximos dinossauros em vias de extinção - ou alvos a abater, melhor dizendo. Entre outros nomes que poderíamos encontrar no terreno recuado da promoção do livro e da leitura em Portugal, Teresa Calçada está, sem dúvida, entre os mais consensuais e combativos.

Texto de Carla Maia de Almeida
Revista Ler, nº112, abril 2012

03 de Julho de 1821: A Corte portuguesa regressa a Lisboa, depois de 13 anos no Brasil.

Para fugir das invasões Napoleónicas, o futuro rei D. João VI, que em 1807 era ainda príncipe regente, decide levar a corte portuguesa para o Brasil. Enquanto as tropas francesas invadiam Lisboa, cerca de 15 mil pessoas deixavam o país em navios escoltados pela marinha britânica, levando livros, arquivos, objectos preciosos e obras de arte.
A frota desembarcou em Salvador em Janeiro de 1808 e em Março a corte portuguesa transferiu-se para o Rio de Janeiro.
Com a presença do príncipe regente e da corte no Brasil, a colónia desenvolveu-se cada vez mais, a abertura dos portos brasileiros causou danos ao comércio português. Exigia-se em Portugal o retorno da Corte para o reino, assim restaurando a dignidade metropolitana e o estabelecimento de uma Monarquia constitucional em Portugal; além da restauração da exclusividade de comércio com o Brasil.
Em Agosto de 1820 eclode na cidade do Porto um movimento liberal que logo se espalhou por outras cidades, consolidando-se com a adesão de Lisboa. Iniciado pelos militares descontentes com a falta de pagamento e por comerciantes insatisfeitos, conseguiu o apoio de quase todas as camadas sociais. A junta governativa de Lord Beresford que governava Portugal foi substituída por uma Junta Provisória, que convocou as Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa para elaborar uma Constituição. 

Exposição 'O Tesouro da Rainha Santa Isabel'

Museu Nacional de Machado de CastroInauguração da Exposição 'O Tesouro da Rainha Santa Isabel'

Assinalando as comemorações dos 500 anos da beatificação da Princesa Isabel de Aragão, Rainha de Portugal, o MNMC inaugura a exposição ‘O Tesouro da Rainha Santa Isabel’, na próxima segunda feira, 04 de julho, às 16h00.
O Tesouro poderá ser visitado às terças feiras, das 14h00 às 18h00 e, de quarta a domingo, das 10h00 às 18h00, até 2 de outubro.

Guia sobre o uso sem riscos da Internet, para mães e pais

Este guia foi criado com os seguintes objetivos:
Informar os pais das crianças sobre as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias de informação e comunicação, bem como fornecer conteúdo e apontar os desafios que serão úteis na sua relação com os menores.
Alertar para os riscos das tecnologias de informação e comunicação sem infundir fobias tecnológicas. Obter a confiança através da aquisição de conhecimento.
Conscencializar a população sobre a utilidade do conhecer, praticar e fomentar o uso seguro da tecnologia. Promover práticas seguras e hábitos saudáveis na Internet.
Aprender estratégias para enfrentar os principais riscos inerentes ao acesso às tecnologias da informação e da comunicação.

JULHO, MÊS DAS FÉRIAS...





VAI VIAJAR??
PASSE NA BIBLIOTECA E ESCOLHA UM BOM LIVRO PARA LEVAR E LER NOS DIAS DE CHUVA, DE PREGUIÇA OU DE DESCANSO...
NÃO VAI VIAJAR?
VENHA ATÉ À BIBLIOTECA E ESCOLHA UM BOM LIVRO PARA "VIAJAR" COM ELE...

02 de Julho de 1961: O escritor Ernest Hemingway, autor de "Adeus às Armas",Prémio Nobel da Literatura em 1954, comete suicídio.

Ernest Miller Hemingway (21/7/1899-2/7/1961), romancista e contista norte-americano, nasceu em Oak Park, Chicago, e foi educado no liceu local. O pai de Hemingway era médico e transmitiu ao filho o entusiasmo pelos desportos. A mãe insistira para que o filho se dedicasse à música, mas Hemingway resolveu tornar-se jornalista e escritor. Trabalhou inicialmente como repórter para o Kansas City Star . Em Abril de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, alistou-se como voluntário, tendo sido colocado numa unidade de ambulâncias na frente italiana. Pouco depois de ter chegado a Itália, foi ferido numa perna e transportado ao hospital da Cruz Vermelha. Regressou à América e em 1919 voltou a trabalhar como repórter para o jornal de Toronto Star Weekly . O casamento com Hadley Richardson, em 1921, foi o primeiro dos quatro matrimónios do escritor. Na Europa, Hemingway trabalhou como correspondente. Em Paris, para onde partiu em 1922 ao serviço de um jornal canadiano, conheceu Gertrude Stein e frequentou os círculos literários da capital francesa. Ali contactou com outros expatriados: Ezra Pound, James Joyce e Scott Fitzgerald. O livro Three Stories and Ten Poems teve uma circulação limitada em Paris (1924) e no ano seguinte foi publicado o livro de contos In Our Time , que recebeu a aprovação dos críticos americanos. As primeiras obras de Hemingway revelavam a influência de Ring Lardner e Sherwood Anderson, mas a carreira literária do autor desenvolveu-se fundamentalmente a partir das experiências pessoais que mais o marcaram, entre as quais se destacam a guerra e o jornalismo. Em 1926 foi publicado o romance Torrents of Spring , uma paródia do livro de Sherwood Anderson Dark Laughter . No mesmo ano Hemingway publicou The Sun Also Rises (editado na Inglaterra com o título Fiesta ).