dezembro 02, 2015

Funeral de Fernando Pessoa

O funeral de Fernando Pessoa realizou-se a 2 de Dezembro de 1935, há 80 anos. O caixão do escritor saiu da capela do cemitério dos Prazeres, em Lisboa, às 11h00, sendo depositado no jazigo da sua avó. Luis de Montalvor, em nome dos de Orpheu, proferiu um curto discurso. Vários amigos e companheiros literários mais próximos de Pessoa marcaram presença. Entre eles, o já citado Luís de Montalvor, Alfredo Guisado, Almada Negreiros, António Ferro, Raul Leal, João Gaspar Simões, Luis Pedro Moitinho de Almeida, António Botto, Carlos Queiroz e o cunhado de Pessoa, Francisco Caetano Dias. A irmã de Fernando Pessoa não esteve presente, devido à fratura de uma perna. Muitos outros apenas souberam da morte de Fernando Pessoa após o seu funeral. A natureza reclusa do escritor fazia com que a sua ausência de alguns dias não fosse estranhada. E vários amigos só souberam do óbito pelos jornais, a partir de dia 3 de Dezembro.

A arte dos chocalhos já é Património Imaterial da Humanidade

Portugal candidatou este ano à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) a inscrição do fabrico de chocalhos como Património Cultural Imaterial da Humanidade com Necessidade de Salvaguarda Urgente.
Assim que apareceu a palavra "adopted" no ecrã que projetava a proposta de Portugal, os chocalhos tocaram na Namíbia.
"Calma, ainda não declarei [os chocalhos património imaterial da Humanidade" disse entre sorrisos a presidente do comité, Trudie Amulungu, da Namíbia. E após uma pequeníssima pausa, lá disse o que a delegação portuguesa estava à espera: "Declaro que os chocalhos estão inscritos na lista. parabéns Portugal". E os chocalhos voltaram a tocar dentro da sala em que decorre até sexta-feira a 10.ª conferência da UNESCO dedicada ao Património Imaterial.
Restam 13 mestres chocalheiros no país, quase todos na zona de Viana do Alentejo, nove deles com mais de 70 anos. Os outros têm entre 30 e 40 anos, nenhum tem aprendizes.
O processo, coordenado pelo antropólogo Paulo Lima, é liderado pela Turismo do Alentejo e Ribatejo, em colaboração com a Câmara de Viana do Alentejo e a Junta de Freguesia de Alcáçovas, mas tem âmbito nacional. Paulo Lima contou ao DN que fizeram um levantamento que vai de Trás-os-Montes aos Açores.

Feira do Livro na Biblioteca Municipal de Anadia...


Projeto LER + JOVEM

Eis as imagens do lançamento deste projeto na Escola Básica e Secundária de Anadia para 3 turmas do 10º ano... Trata-se dum projeto com a duração de dois anos, tendo sido aceites pelo Plano Nacional de Leitura e pela Rede das Bibliotecas Escolares apenas 10 Escolas em todo o país...












Promoção da Leitura na EB nº 1 de Monsarros

Foi levada a cabo mais uma Promoção da Leitura com 2 obras das Metas Curriculares de Português para o 4º ano, a saber: O COELHINHO BRANCO de António Torrado e O LIVRO DA TILA  de Matilde Rosa Araújo.

Foi uma sessão extraordinária que todos adorámos....

Vejam as fotos....











Dia Internacional da Abolição da Escravatura


A 2 de dezembro celebra-se o Dia Internacional da Abolição da Escravatura.
A abolição da escravatura é ainda uma meta em pleno século XXI, constituindo-se o dia 2 de dezembro como uma altura de reflexão e de luta contra esta realidade. A escravatura ainda se faz sentir nos dias de hoje de várias formas: trabalho forçado, servidão obrigatória, tráfico de crianças e mulheres, prostituição, escravatura doméstica, trabalho infantil, casamentos combinados, entre outras formas de escravatura.
Este Dia Internacional da Abolição da Escravatura foi criado em 2004 pela Organização das Nações Unidas (ONU) que estima que existam 21 milhões de vítimas de escravidão espalhadas por todo o mundo. A data lembra a assinatura da Convenção das Nações Unidas para a Supressão do Tráfico de Pessoas e da Exploração da Prostituição de Outrem, a 2 de dezembro de 1949.

dezembro 01, 2015

Poema de Fernando Pessoa sobre o Natal...

Fernando Pessoa



Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!




Fernando Pessoa:..

Foto de Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen.
NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem,
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu.


(24-8-1930)

FERNANDO PESSOA, in NOVAS POESIAS INÉDITAS- Fernando Pessoa.  [Lisboa, Ática, 1973 (4ª ed. 1993)].

Viva Fernando Namora....

“A Verdadeira Filosofia de Vida”, por Fernando Pessoa, nos 80 anos da morte do nosso grande poeta:

" - Trabalhar com nobreza, esperar com sinceridade, sentir as pessoas com ternura, esta é a verdadeira filosofia.
- Não tenhas opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor das tuas opiniões.
- Sê tolerante, porque não tens certeza de nada.
- Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os actos.
- Espera o melhor e prepara-te para o pior.
- Não mates nem estragues, porque não sabes o que é a vida, excepto que é um mistério.
- Não queiras reformar nada, porque não sabes a que leis as coisas obedecem.
- Faz por agir como os outros e pensar diferentemente deles."

Em 'Anotações de Fernando Pessoa (sem data)'

01 de dezembro de 1640: Restauração da Independência


O golpe palaciano de 1 de dezembro de 1640 foi o resultado de uma conspiração de nobres e letrados que se vinha preparando havia muito tempo. O movimento libertador do domínio espanhol acabou por realizar-se um pouco precipitadamente por imposição das circunstâncias, visto que o duque de Bragança tinha sido chamado a Madrid e com a sua partida ficaria a faltar um chefe capaz de assumir as reponsabilidades do golpe. De facto, reuniões de fidalgos realizavam-se já no palácio de D. Antão de Almada, ao Rossio, assistindo a elas o Dr. João Pinto Ribeiro, um dos cérebros da revolta, que tratava dos negócios do duque de Bragança em Lisboa, mantendo a ligação entre este e os conspiradores. Assim, na manhã de 1 de dezembro, inúmeros fidalgos introduziram-se no Paço Real, ocultando as armas sob as roupas, e, por volta das nove horas, a um sinal de D. Miguel de Almeida, assaltaram subitamente o palácio, derrubando tudo quanto se lhes tentou opor. Rebuscaram a sala do secretário Miguel de Vasconcelos e, encontrando-o escondido num grande armário de madeira, assassinaram-no sem qualquer troca de palavras. Tendo atirado o corpo pela janela para a praça, lançaram depois sobre ele algumas peças de prata, salvas, castiçais, doces e queijos, para atrair a massa popular, que olhava de longe, desconfiada. Imediatamente, inúmeros mendigos se lançaram sobre ele e, estimulados pela gulodice, entraram no palácio, saqueando-o totalmente. Entre o início do assalto e a proclamação do novo rei, D. João IV, que se encontrava no Palácio de Vila Viçosa, mediou apenas um quarto de hora, durante o qual se deu a queda de todo um regime e se restaurou a independência nacional. O grupo de nobres e letrados que deu origem ao golpe sabia poder contar com a adesão popular. Todavia, não recorreram ao povo para a realização dos seus intentos. Assim, logo após o golpe, foi designado um governo provisório incumbido dos assuntos mais urgentes até que D. João IV chegasse a Lisboa. Para esse governo foram escolhidos os arcebispos de Lisboa e Braga, bem como o inquisidor-geral D. Francisco de Castro, que, tendo-se recusado a aceitar o cargo, foi substituído pelo visconde D. Lourenço de Lima. De toda a parte, chegavam notícias de que a revolução tinha obtido um êxito completo e fulminante. No entanto, D. João IV teria ainda de enfrentar diversos problemas de maneira a confirmar o movimento restaurador: por um lado, obter o reconhecimento da independência de Portugal e, com ele, o da sua realeza; por outro, arranjar alianças suficientemente fortes para oferecerem uma garantia efetiva contra as arremetidas de Espanha, que se esperavam logo que este país conseguisse libertar-se das lutas que travava na Europa e da insurreição catalã. Apesar disso, a abundante literatura político-jurídica entretanto surgida encarregou-se de demonstrar a legitimidade da Restauração, a fim de obter o reconhecimento pelas outras potências e a fortalecer a nova autoridade em Portugal.
Primeiro de dezembro de 1640. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.